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Depois de anos de expectativa, primeiro leilão do gás da União ganha contornos para sair do papel

MME coloca regras em consulta, enquanto Petrobras e PPSA fecharam acordo para comercialização

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5º leilão do petróleo da União, realizado pela PPSA em junho de 2025, na B3, em SP (Foto Divulgação PPSA)

Depois de anos de expectativa, primeiro leilão do gás da União ganha contornos para sair do papel.

Depois de anos de negociações, o leilão do gás natural da União proveniente dos contratos de partilha no pré-sal está, enfim, em vias de se concretizar, com expectativa de sair do papel em outubro. Dois movimentos importantes na quinta-feira (10/9) avançaram na preparação para a oferta.

 

  • O Ministério de Minas e Energia (MME) colocou em consulta pública as regras para o certame.
  • Em paralelo, a PPSA também chegou a um acordo para que a Petrobras atue como agente comercializador do gás, um dos principais impasses para a oferta até então. 

 

Nesse primeiro leilão, a expectativa é de oferta de 1 milhão de m³/dia.

 

  • A minuta de portaria em consulta pública até segunda (14/9) fixa regras para pulverizar o acesso e impedir aquisição de todo o volume por um único grande consumidor.

 

Buscando ampliar o consumo industrial de gás natural no país, estagnado há anos, o foco será a indústria de base. 

 

  • Os setores-alvo são as indústrias química e petroquímica; de fertilizantes; siderúrgico, metalúrgico e de mineração; e vidreira e ceramista.

 

É a grande aposta do governo para reduzir o preço do gás natural no Brasil e buscar destravar novas demandas. 

 

  • Segundo o MME, o gás natural da União é hoje vendido pela Petrobras — agente dominante do mercado — a cerca de US$ 12 por milhão de BTU (MMBtu). Com a nova política, o valor poderia cair para cerca de US$ 5 por MMBtu, redução superior a 50%. 
Quem vai comprar o gás natural da União?

A reação do mercado: a segmentação da oferta em produtos específicos não agradou. A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace) defende um ajuste nas regras para não reduzir a competição pela molécula.

 

O que ainda falta? A PPSA deve publicar nos próximos dias o pré-edital do certame, de acordo com as orientações do MME.

 

Esse será o primeiro de uma série de leilões de curto prazo do gás da União previstos para ocorrer até 2030. Funcionará como um termômetro para entender a recepção à política estabelecida pelo governo para o gás do pré-sal. 

 

  • A partir da próxima década, o gás da União passará a ser comercializado em leilões estruturantes de longo prazo. 

 

Comercialização de gás. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) iniciou um processo de consulta ao mercado para aquisição de gás natural de terceiros, destinado a operações de balanceamento da rede de transporte e ao uso no seu sistema de transporte em 2027.


 
Preço do barril. O petróleo saltou na quinta (10/9), em meio aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. O movimento ocorre à medida que os investidores se preparam para uma guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã, além dos choques de oferta da commodity, enquanto os ataques continuam nos estreitos de Ormuz e Bab-al-Mandeb.

 

  • As cotações também refletem os dados sobre estoques de petróleo nos EUA, que caíram 391 mil barris, a 424,069 milhões de barris, na semana encerrada em 4 de setembro.
  • O petróleo encerrou o dia em alta de 6,34%, a US$ 107,63 o barril. Por volta das 6h da manhã desta sexta (11), os preços estavam em queda, negociados a US$ 104,96. 

 

Demanda menor. A Opep reduziu em 200 mil barris/dia a previsão de crescimento da demanda global pela commodity em 2026, para 400 mil barris/dia. 

 

  • Se confirmada, a projeção indica que o consumo mundial somará 105,84 milhões de bpd em 2026. Para 2027, por outro lado, a Opep elevou em 200 mil barris/dia a projeção para o aumento do consumo. 

 

Novos dutos de etanol e derivados. A Inpasa estrutura um projeto de R$ 22 bilhões para construir dois dutos para movimentação de combustíveis entre Sinop (MT) e Paulínia (SP), com extensão de 2,1 mil quilômetros. Documentos obtidos pela agência eixos mostram que o projeto foi apresentado ao Ibama para o início do licenciamento ambiental federal.

 

  • Batizado de Projeto Pascal, o empreendimento permitirá transportar 13,3 milhões de m³ de etanol do Centro-Oeste a Paulínia, principal polo de distribuição de combustíveis do país — e, posteriormente, ao Porto de Santos.
  • No sentido inverso, um segundo duto levará 6,6 milhões de m³ de derivados de petróleo de Paulínia rumo ao Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

 

Para ficar de olho. O crescimento acelerado da demanda por transporte de biocombustíveis no Centro-Oeste está levando a uma expansão da malha de dutos na região. A Petrobras anunciou no ano passado a construção de um duto de líquidos com mais de 2 mil quilômetros entre Mato Grosso e São Paulo. 



Biometano em São Paulo. A Comgás recebeu autorização da Arsesp para começar a vender biometano diretamente aos seus clientes no mercado cativo. A nova modalidade, chamada Mercado Cativo Verde, atende segmentos industrial, refrigeração, cogeração e mobilidade. 

 

Leilão de baterias. Em meio a uma discussão sobre regras e rateio dos custos dos primeiros leilões de baterias do Brasil, a Absae alerta que um eventual adiamento do certame pode gerar déficit de potência em 2028.

 

  • Em entrevista à agência eixos, o diretor-executivo da Absae, Fábio Lima, afirma concordar com o pleito dos geradores de divisão de custos e considera que o ideal é revogar a determinação antes do leilão.

 

Contratos do LRCAP. A SPIC Brasil vai investir R$ 1,4 bilhão na expansão da Usina Hidrelétrica São Simão, adicionando 310 MW. Localizado entre Minas Gerais e Goiás, o empreendimento foi habilitado no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP) para ofertar 253,3 MW de potência.


 
Recuperação da Light. A distribuidora anunciou na quarta-feira (9/9) o encerramento da recuperação judicial. Por meio de fato relevante, a Light declarou “cumpridas todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial verificadas durante o período de fiscalização”, entre 18 de junho de 2024 e 18 de junho deste ano.

 

Fonte: Eixos

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