Depois de anos de expectativa, primeiro leilão do gás da União ganha contornos para sair do papel.
Depois de anos de negociações, o leilão do gás natural da União proveniente dos contratos de partilha no pré-sal está, enfim, em vias de se concretizar, com expectativa de sair do papel em outubro. Dois movimentos importantes na quinta-feira (10/9) avançaram na preparação para a oferta.
- O Ministério de Minas e Energia (MME) colocou em consulta pública as regras para o certame.
- Em paralelo, a PPSA também chegou a um acordo para que a Petrobras atue como agente comercializador do gás, um dos principais impasses para a oferta até então.
Nesse primeiro leilão, a expectativa é de oferta de 1 milhão de m³/dia.
- A minuta de portaria em consulta pública até segunda (14/9) fixa regras para pulverizar o acesso e impedir aquisição de todo o volume por um único grande consumidor.
Buscando ampliar o consumo industrial de gás natural no país, estagnado há anos, o foco será a indústria de base.
- Os setores-alvo são as indústrias química e petroquímica; de fertilizantes; siderúrgico, metalúrgico e de mineração; e vidreira e ceramista.
É a grande aposta do governo para reduzir o preço do gás natural no Brasil e buscar destravar novas demandas.
- Segundo o MME, o gás natural da União é hoje vendido pela Petrobras — agente dominante do mercado — a cerca de US$ 12 por milhão de BTU (MMBtu). Com a nova política, o valor poderia cair para cerca de US$ 5 por MMBtu, redução superior a 50%.
Quem vai comprar o gás natural da União?
A reação do mercado: a segmentação da oferta em produtos específicos não agradou. A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace) defende um ajuste nas regras para não reduzir a competição pela molécula.
O que ainda falta? A PPSA deve publicar nos próximos dias o pré-edital do certame, de acordo com as orientações do MME.
Esse será o primeiro de uma série de leilões de curto prazo do gás da União previstos para ocorrer até 2030. Funcionará como um termômetro para entender a recepção à política estabelecida pelo governo para o gás do pré-sal.
- A partir da próxima década, o gás da União passará a ser comercializado em leilões estruturantes de longo prazo.
Comercialização de gás. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) iniciou um processo de consulta ao mercado para aquisição de gás natural de terceiros, destinado a operações de balanceamento da rede de transporte e ao uso no seu sistema de transporte em 2027.
Preço do barril. O petróleo saltou na quinta (10/9), em meio aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. O movimento ocorre à medida que os investidores se preparam para uma guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã, além dos choques de oferta da commodity, enquanto os ataques continuam nos estreitos de Ormuz e Bab-al-Mandeb.
- As cotações também refletem os dados sobre estoques de petróleo nos EUA, que caíram 391 mil barris, a 424,069 milhões de barris, na semana encerrada em 4 de setembro.
- O petróleo encerrou o dia em alta de 6,34%, a US$ 107,63 o barril. Por volta das 6h da manhã desta sexta (11), os preços estavam em queda, negociados a US$ 104,96.
Demanda menor. A Opep reduziu em 200 mil barris/dia a previsão de crescimento da demanda global pela commodity em 2026, para 400 mil barris/dia.
- Se confirmada, a projeção indica que o consumo mundial somará 105,84 milhões de bpd em 2026. Para 2027, por outro lado, a Opep elevou em 200 mil barris/dia a projeção para o aumento do consumo.
Novos dutos de etanol e derivados. A Inpasa estrutura um projeto de R$ 22 bilhões para construir dois dutos para movimentação de combustíveis entre Sinop (MT) e Paulínia (SP), com extensão de 2,1 mil quilômetros. Documentos obtidos pela agência eixos mostram que o projeto foi apresentado ao Ibama para o início do licenciamento ambiental federal.
- Batizado de Projeto Pascal, o empreendimento permitirá transportar 13,3 milhões de m³ de etanol do Centro-Oeste a Paulínia, principal polo de distribuição de combustíveis do país — e, posteriormente, ao Porto de Santos.
- No sentido inverso, um segundo duto levará 6,6 milhões de m³ de derivados de petróleo de Paulínia rumo ao Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Para ficar de olho. O crescimento acelerado da demanda por transporte de biocombustíveis no Centro-Oeste está levando a uma expansão da malha de dutos na região. A Petrobras anunciou no ano passado a construção de um duto de líquidos com mais de 2 mil quilômetros entre Mato Grosso e São Paulo.
Biometano em São Paulo. A Comgás recebeu autorização da Arsesp para começar a vender biometano diretamente aos seus clientes no mercado cativo. A nova modalidade, chamada Mercado Cativo Verde, atende segmentos industrial, refrigeração, cogeração e mobilidade.
Leilão de baterias. Em meio a uma discussão sobre regras e rateio dos custos dos primeiros leilões de baterias do Brasil, a Absae alerta que um eventual adiamento do certame pode gerar déficit de potência em 2028.
- Em entrevista à agência eixos, o diretor-executivo da Absae, Fábio Lima, afirma concordar com o pleito dos geradores de divisão de custos e considera que o ideal é revogar a determinação antes do leilão.
Contratos do LRCAP. A SPIC Brasil vai investir R$ 1,4 bilhão na expansão da Usina Hidrelétrica São Simão, adicionando 310 MW. Localizado entre Minas Gerais e Goiás, o empreendimento foi habilitado no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP) para ofertar 253,3 MW de potência.
Recuperação da Light. A distribuidora anunciou na quarta-feira (9/9) o encerramento da recuperação judicial. Por meio de fato relevante, a Light declarou “cumpridas todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial verificadas durante o período de fiscalização”, entre 18 de junho de 2024 e 18 de junho deste ano.
Fonte: Eixos