Uma comitiva do Governo do Estado do Rio esteve em Londres para discutir projetos estruturantes de saneamento, drenagem urbana e recuperação ambiental. Nesta sexta-feira (06/02), o grupo se reuniu com representantes da Tideway, empresa ligada ao projeto de despoluição do Rio Tâmisa, e conheceu o modelo institucional, regulatório e financeiro usado no Reino Unido.
A ideia, segundo o governo, é entender como a estrutura foi montada e o que pode ser reaproveitado na realidade fluminense, especialmente em iniciativas de recuperação da Baía de Guanabara. O foco da conversa ficou em governança, financiamento e na forma como o projeto foi integrado ao sistema de saneamento já existente.
“O foco da troca de experiências foi na governança, no financiamento e na integração do projeto da Tideway ao sistema de saneamento existente no Rio. O projeto londrino foi desenvolvido como resposta a um problema estrutural histórico do saneamento, semelhante ao da nossa Baía de Guanabara, que hoje também está em processo de recuperação”, disse o governador do Estado do Rio.
No panorama apresentado pela comitiva, o investimento estimado para o entorno da Baía de Guanabara, dentro da concessão estadual, é de R$ 2,7 bilhões, inserido num compromisso total de R$ 24,4 bilhões ao longo de 35 anos. O projeto prevê cerca de 47 km de coletores tronco, estações de bombeamento e pontos de captação. A estimativa é beneficiar cerca de 10 milhões de pessoas em 17 municípios da bacia.
O governo também citou intervenções já realizadas pelo PSAM, programa ambiental dos municípios do entorno da Baía, com obras como troncos coletores, sistemas de esgotamento sanitário e estações de tratamento. A justificativa é que parte desse esforço tem sido voltada a interceptar e redirecionar efluentes que antes eram lançados sem tratamento.
Como funciona a Tideway em Londres
A Tideway atua de forma regulada e separada da concessionária tradicional de saneamento, a Thames Water, segundo a descrição apresentada. O projeto principal é o Thames Tideway Tunnel, um túnel subterrâneo sob o Rio Tâmisa com cerca de 25 km de extensão e 7,2 metros de diâmetro interno, concluído em 2024 e em operação desde 2025.
O sistema intercepta 34 pontos de extravasamento ao longo do trecho de maré do Tâmisa e, integrado ao Lee Tunnel, soma capacidade combinada aproximada de 1,6 milhão de metros cúbicos, com potencial de reduzir cerca de 95% das descargas associadas a episódios de chuva intensa.
Fonte: Diário do Rio